A História repete-se

A História repete-se de Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho

Um diálogo descontraído em torno da História, dos seus maiores personagens e acontecimentos. 'A História repete-se' não é uma aula, mas quer suscitar curiosidade pelo passado e construir pontes com o presente. Todas as semanas Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho partem de um ponto que pode levar a muitos outros... São assim as boas conversas.

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Resumo do episódio

Este episódio explora a vida e o legado contraditório de Diogo Inácio de Pina Manique, analisando sua atuação como Intendente-Geral da Polícia e fundador da Real Casa Pia sob a ótica do pensamento iluminista e utilitarista. A discussão aborda como sua gestão priorizava a utilidade social e a eficiência técnica, mesmo através de métodos implacáveis. A narrativa percorre a manutenção da ordem em Lisboa, as tensões diplomáticas com a França e o impacto das transformações políticas, como a Revolução Francesa, nas instituições portuguesas. O episódio conclui refletindo sobre a importância de analisar figuras históricas complexas dentro de seu próprio contexto, evitando anacronismos do século XXI.

Capítulos

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Destaques

Foi o que aconteceu em 1777, quando Manique mandou incendiar durante a noite a aldeia pescatória da Trafaria, onde muitos se acoitavam, ganhando então o epíteto de O Carrasco da Trafaria.

00:03:09 · O trecho relata um episódio violento que lhe rendeu uma alcunha infame devido à sua dureza no recrutamento militar.

O que o utilitarismo diz? Que os indivíduos têm que ser úteis, portanto tudo o que são indivíduos inúteis são para pôr à parte.

00:11:42 · A locutora explica a lógica por trás das políticas de Pina Manique baseadas na produtividade e na utilidade social.

Pina Manico olhava para muitas destas pessoas, quase, e passo o choque que isto possa parecer, como se olha para uma mesa que, sendo consertada, não olhando ao seu passado, basta voltar a colar que encaminha e encarreira.

00:16:49 · Uma metáfora utilizada para descrever a visão desumanizada de Pina Manique sobre os indivíduos em processo de reintegração social.

Em lugar da Inquisição estar, sobretudo, preocupada Com os heréges e se alguém come ou não um porco ao sábado passa a estar preocupada com a segurança do Estado.

00:37:06 · Explica como as funções da Inquisição foram alteradas para focar na segurança política sob a tutela da coroa.

Temos que olhar para os personagens e para as situações à luz da época e não com os olhos do século XXI.

00:51:57 · O locutor defende a necessidade de evitar o anacronismo ao estudar figuras históricas.

Episódios

236-

As contradições de um ” déspota iluminado”: A vida e a obra de Diogo Inácio de Pina Manique

Este episódio explora a vida e o legado contraditório de Diogo Inácio de Pina Manique, analisando sua atuação como Intendente-Geral da Polícia e fundador da Real Casa Pia sob a ótica do pensamento iluminista e utilitarista. A discussão aborda como sua gestão priorizava a utilidade social e a eficiência técnica, mesmo através de métodos implacáveis. A narrativa percorre a manutenção da ordem em Lisboa, as tensões diplomáticas com a França e o impacto das transformações políticas, como a Revolução Francesa, nas instituições portuguesas. O episódio conclui refletindo sobre a importância de analisar figuras históricas complexas dentro de seu próprio contexto, evitando anacronismos do século XXI.

09 set. 2026
235-

D. Fernando II e a Condessa d’Edla, os protetores das artes e criadores do Parque da Pena

Este episódio explora a vida de Elis Ensler, a Condessa de Edla, e o seu controverso casamento com o rei D. Fernando II de Portugal. Discutem-se as implicações políticas e sociais desta união, a reação da sociedade portuguesa perante o matrimónio e o papel do casal como mecenas da cultura. A narrativa aborda ainda a gestão ativa da Condessa na florestação do Parque da Pena, o seu apoio financeiro a artistas como Viana da Mota e as críticas de Ramalho Ortigão sobre o abandono do património histórico português.

02 set. 2026
234-

Cantando e rindo: A exposição do Mundo Português no contexto da propaganda no Estado Novo

Este episódio analisa a Exposição do Mundo Português de 1940 e o seu papel fundamental na construção da identidade nacional durante o Estado Novo. Explora-se como António Ferro e Salazar utilizaram uma estética que conciliava o modernismo arquitetónico com a tradição para projetar uma imagem imperial e moderna de Portugal, utilizando a propaganda para mitificar o passado e omitir períodos controversos. A discussão aborda as nuances políticas do regime, o impacto social da exposição e a representação problemática das populações coloniais. Além disso, o episódio reflete sobre o destino de diversas obras artísticas e patrimoniais que, após o evento, enfrentaram o abandono ou o esquecimento em diversos locais.

26 ago. 2026
233-

Rainha D. Leonor, a mulher mais rica da Europa

Este episódio explora a vida e o legado da Rainha Dona Leonor, destacando o seu papel fundamental na criação da Misericórdia de Lisboa, o seu mecenato cultural — especialmente o apoio a Gil Vicente — e as suas obras assistenciais, como o Hospital das Caldas. A discussão aborda também as complexas dinâmicas políticas da Dinastia de Avis, marcadas pela endogamia e pelas disputas sucessórias envolvendo D. João II e a legitimidade de D. Jorge de Lancastre. Além do contexto histórico, o episódio reflete sobre a importância do sentido de comunidade legado pelas Misericórdias em contraste com o individualismo contemporâneo, analisando as inovações militares de D. João II e os impactos das tensões políticas na estrutura da Casa Real.

19 ago. 2026
232-

Aljubarrota, entre os mitos e a realidade: a “batalha real” de 14 de agosto de 1385

Este episódio promove uma desconstrução dos mitos em torno da Batalha de Algebarrota e do reinado de D. Fernando, contestando visões simplistas sobre a crise dinástica de 1383-85. A discussão analisa as complexidades políticas e diplomáticas da época, refutando lendas de superioridade numérica e examinando as estratégias de sobrevivência do monarca. A análise estende-se às transformações na tática militar entre os séculos XIII e XIV, abordando a evolução da infantaria e o impacto das guerras fernandinas. O episódio explora ainda o Cerco de Lisboa, a importância da arqueologia para compreender as manobras defensivas em Aljubarrota e a necessidade de uma leitura crítica da historiografia de Fernão Lopes.

12 ago. 2026