Resumo do episódio
Existe um debate essencial a ser travado hoje, defende Marilena Chaui, 85: a luta contra um novo tipo de totalitarismo, o neoliberal. Neste episódio, a professora emérita da FFLCH-USP diz que o neoliberalismo tenta transformar todas as instituições sociais em empresas, além de reduzir as pessoas a empresárias de si mesmas, empobrecendo a nossa existência. Para ela, como a extrema direita está enraizada nessa ideologia, os dois combates precisam se combinar. Chaui é conhecida por repetir o quanto odeia a classe média e diz aqui que essa é uma das coisas que passou a vida fazendo. A filósofa vê a classe média, em uma chave marxista, como a correia de transmissão dos valores que garantem o privilégio da burguesia e a dominação dos trabalhadores —daí tanto horror. Esses temas são discutidos no livro "Democracia e Populismo", que também tem ensaios sobre as raízes do autoritarismo brasileiro e a subjetividade depressiva e narcisista do mundo digital. Na entrevista, Chaui esboça uma interpretação da vitória de…
Existe um debate essencial a ser travado hoje, defende Marilena Chaui, 85: a luta contra um novo tipo de totalitarismo, o neoliberal. Neste episódio, a professora emérita da FFLCH-USP diz que o neoliberalismo tenta transformar todas as instituições sociais em empresas, além de reduzir as pessoas a empresárias de si mesmas, empobrecendo a nossa existência. Para ela, como a extrema direita está enraizada nessa ideologia, os dois combates precisam se combinar. Chaui é conhecida por repetir o quanto odeia a classe média e diz aqui que essa é uma das coisas que passou a vida fazendo. A filósofa vê a classe média, em uma chave marxista, como a correia de transmissão dos valores que garantem o privilégio da burguesia e a dominação dos trabalhadores —daí tanto horror. Esses temas são discutidos no livro "Democracia e Populismo", que também tem ensaios sobre as raízes do autoritarismo brasileiro e a subjetividade depressiva e narcisista do mundo digital. Na entrevista, Chaui esboça uma interpretação da vitória de…
Episódios
Marilena Chaui: Jovens enxergaram futuro sob a extrema direita e garantiram virada de Lula
OuvidoExiste um debate essencial a ser travado hoje, defende Marilena Chaui, 85: a luta contra um novo tipo de totalitarismo, o neoliberal. Neste episódio, a professora emérita da FFLCH-USP diz que o neoliberalismo tenta transformar todas as instituições sociais em empresas, além de reduzir as pessoas a empresárias de si mesmas, empobrecendo a nossa existência. Para ela, como a extrema direita está enraizada nessa ideologia, os dois combates precisam se combinar. Chaui é conhecida por repetir o quanto odeia a classe média e diz aqui que essa é uma das coisas que passou a vida fazendo. A filósofa vê a classe média, em uma chave marxista, como a correia de transmissão dos valores que garantem o privilégio da burguesia e a dominação dos trabalhadores —daí tanto horror. Esses temas são discutidos no livro "Democracia e Populismo", que também tem ensaios sobre as raízes do autoritarismo brasileiro e a subjetividade depressiva e narcisista do mundo digital. Na entrevista, Chaui esboça uma interpretação da vitória de…
Sérgio Abranches: Regime político vai sofrer ruptura e Judiciário não é saída para crise
OuvidoEm um artigo publicado em 1988, Sérgio Abranches cunhou o termo presidencialismo de coalizão para nomear o sistema político-partidário brasileiro. Abranches argumentou que, em um cenário com um grande número de partidos e em que nenhum deles obtém maioria no Congresso, o presidente precisa negociar com forças políticas muito heterogêneas e sem enraizamento ideológico para conseguir governar. A distribuição de cargos e emendas parlamentares passam a ser as principais armas à disposição do chefe do Executivo. No livro “Presidencialismo de Coalizão”, lançado em 2018, ele analisa a evolução do regime político do país desde a Constituição de 1988, análise que agora alcança, com a publicação de uma edição revista e ampliada da obra, os governos Jair Bolsonaro e Lula 3. Neste episódio, Abranches discute os contornos da crise atual do sistema político-partidário brasileiro, indicando uma ruptura nas eleições de 2018 e o aprofundamento da crise em 2022. O autor discute o crescimento da instabilidade nas relações…
Letícia Cesarino: Big techs aceleram radicalização intoxicando fantasia e imaginação
OuvidoÉ comum que se diga que o Discord e outras plataformas não são mais que ferramentas tecnológicas, como um carro: se um motorista matar alguém atropelado, a culpa é de quem dirige, não do veículo, que não passaria de um meio de transporte. Para a antropóloga Letícia Cesarino, essa comparação é absurda. O que as big techs oferecem, ela diz, são ambientes, cada vez mais tóxicos, que moldam formas de socialização e identidades —e nesses espaços, crianças e adolescentes, particularmente vulneráveis, estão sendo seduzidos pelo extremismo. Em "Ecologias de Crise", a autora investiga como as plataformas digitais impulsionam espirais de radicalização. O livro discute o papel delas desde o recrutamento de novos membros por comunidades extremistas até a realização de atos de violência. A ideia de ecologia de crise se inspira na obra do antropólogo Gregory Bateson, um dos grandes nomes da teoria cibernética, e concebe o extremismo como uma teia de que participam o modelo de negócio das big techs, o funcionamento dos…
André Singer: Esquerda deve continuar em frente democrática sem deixar de ser esquerda
OuvidoResistir à onda reacionária que avança no Brasil e no mundo, diz o cientista político André Singer, depende de novas formas de organização de classe. Sem o engajamento político dos trabalhadores, o regime democrático tende a se esvaziar e a esfera pública, se dissolver. Essa interpretação é desenvolvida no recém-lançado "Impasse", que propõe que a coalizão formada ao redor de Lula (PT) na última eleição vive uma contradição: a construção de uma frente democrática ampla foi indispensável, mas, por reunir grupos sociais com interesses antagônicos, pode se fraturar. Do lado de cima, estão elites econômicas que defendem um programa de austeridade fiscal e diminuição do tamanho do Estado. Do lado de baixo, trabalhadores que esperavam uma melhoria nas condições de vida como nos primeiros mandatos de Lula, o que demanda mais investimento social, e se frustam com os resultados do governo. Para Singer, o melhor que a esquerda pode fazer nessa conjuntura é se opor à política econômica neoliberal —defendendo a revisão…
Renato Meirelles: Mulheres pobres adoram Lula, mas só Michelle fala de igual para igual
OuvidoA classe C abarca 107 milhões de pessoas e expressa como nenhum outro grupo as dinâmicas da sociedade brasileira, não só por ser a maioria da população ou por estar no meio da distribuição de renda. Renato Meirelles apresenta esse argumento no seu novo livro, que discute as transformações da classe C nos últimos 25 anos e explora, entre outros temas, os seus hábitos de consumo, as suas inclinações políticas e os seus valores sociais. Em "Brasil da Maioria", ele diz que o conservadorismo da classe C é real, mas muito mais empático com quem tem que lidar com os reveses do dia a dia e avesso a soluções punitivistas. Meirelles, que pesquisa o comportamento das pessoas de baixa renda no Brasil desde o começo dos anos 2000, destaca o pragmatismo político da classe C: a divisão ideológica entre direita e esquerda, ele afirma, é muito menos importante que conseguir encontrar uma creche para os filhos ou ser atendido no posto de saúde. Neste episódio, o pesquisador fala sobre como a classe C concebe a sua…